Em agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros passava por um momento de crise institucional – parecido com o que vivemos hoje – e resolveu bolar um plano para dar a volta por cima da turbulência e ficar de boa. Apresentou uma carta-renúncia pensando criar uma comoção nacional, igual àquela provocada pelo suicídio de Getúlio Vargas, sete anos antes. O presidente do Congresso Nacional determinou a leitura da carta e já ia colocar em votação se aceitavam ou não. O deputado mineiro José Marial Alkimin (PSD), em aparte, disse que “renúncia é um ato unilateral”, cabendo ao presidente do Congresso aceitar a renúncia e decretar vaga a presidência da República, já que o vice estava em viagem à China. Jânio dançou.
Lembrei desta história, quando soube de um fato semelhante que aconteceu aqui em Porto Velho. Uma pessoa colocou o cargo que ocupava à disposição da chefia. O chefe aceitou a devolução e ainda agradeceu.
É assim a vida.
