30 de agosto de 2021

Anita Garibaldi e nós

Por José Carlos Sá

Logomarca das comemorações oficiais dos 200 anos de nascimento de Anita Garibaldi (Divulgação)

Há 200 anos nascia em um bairro da cidade de Tubarão, hoje pertencente a Laguna (SC), Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva, hoje mais conhecida como Anita Garibaldi. Ela teve uma infância comum naquele início do século XIX, não sabia ler nem escrever. Órfã, aos 14 anos foi obrigada pela mãe a se casar com o sapateiro Manoel Duarte Aguiar, que logo depois a deixou e se alistou como voluntário na Guarda Nacional do Império, quando o Brasil ainda tentava  se firmar como nação independente de Portugal e sob o governo dos regentes, que administraram o país até a maioridade de D. Pedro II.

Com as revoltas agitando o Brasil de norte a sul, a chamada Aninha, agora com 18 anos conheceu um dos líderes da Guerra dos Farrapos, Giuseppe Garibaldi, que chegava a Laguna com a intenção de tomar o porto da cidade e marchar sobre a capital da Província de Santa Catarina, Nossa Senhora do Desterro. Ana, agora Anita – apelido dado pelo próprio Garibaldi, que se apaixonou por ela -, se engajou nas tropas revolucionárias e, a partir daí lutou por uma causa que ela nem sabia bem qual era. O importante era ficar ao lado do companheiro, o que ela fez até a morte, em 1849, na Itália, onde travou outra guerra pela unificação daquele país que antes era dividido em ducados.

Uma das homenagens a Anita em Laguna (Foto Debs.Me)

Não consegui ainda encontrar, nas diversas fontes que li, o momento em que Anita Garibaldi passou a ter esse protagonismo, especialmente no Brasil, recebendo o título de “heroína dos dois mundos”. Falo isso pela situação dela como mulher, que “deixou” o lar e foi viver com um aventureiro. Hoje se olha a escolha de Anita como uma libertação feminina, como um símbolo, que acho muito difícil afirmar se ela tinha consciência do papel que estava exercendo naquela época.

A revista que inspirou nossa primeira visita a Santa Catarina (Montagem JCarlos)

Já no século XXI, quando voltava de São Paulo, vi a revista Almanaque Brasil, que era a leitura de bordo da  TAM. Encontrei uma sessão com a sugestão de destinos que eram atendidos pela empresa aérea. Nesse número o foco era Laguna, Santa Cataria, e Anita Garibaldi era citada como um dos chamativos da cidade. Guardei o exemplar e levei para casa. Falei para a Marcela: Vamos lá conhecer Santa Catarina e a cidade em que a Anita Garibaldi nasceu? Nessa altura eu sabia muito pouco sobre ela, apenas o que a história convencional contava.

Em janeiro de 2012 conhecemos Santa Cataria, em particular todo o litoral e dedicamos um dia todo na visita à Laguna, onde, como não poderia deixar de ser, tudo gira em torno da filha famosa da cidade.

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