Uma pergunta que venho me fazendo nos últimos dias: Quantos Franklin Cascaes existiram além daquele que conheço e que pesquisava a herança cultural açoriana no litoral catarinense, iniciada com a chegada dos imigrantes dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, a partir de 1748?
Depois da palestra da biblioteconomista Katiely Michieli, à qual assisti atentamente na manhã de sábado, 26 de setembro, acredito que são incontáveis as facetas do mestre Cascaes. A mais conhecida delas, aquela em que pesquisa e estuda os causos ligados às crenças sobrenaturais, acabou se tornando a mais popular por ter sido utilizada (por outros) como peça-chave para atrair turistas para a Ilha de Santa Catarina, cognominada “Ilha da Magia”.

Katiely usou a obra Território Interdito, de Susana Fros, como metáfora da posição da mulher, que fica presa àquilo que a machuca (Foto JCarlos)
Katiely, porém, mostrou que o professor Cascaes era um atento observador do mundo ao seu redor e inseriu em seus trabalhos as inquietações que sentia. Entre elas, a condição reservada às mulheres, responsáveis por cuidar da casa e dos filhos, ajudar na renda familiar e permanecer em segundo plano em praticamente tudo.
Cascaes também acompanhou e denunciou a invasão da especulação imobiliária, que foi derrubando o passado para construir uma cidade sem tradições e atrair turistas e investidores, apagando gradativamente a cultura ilhoa.
A palestra “Uma conversa sobre Cascaes interagindo com as obras dos acapeanos” marcou o encerramento da exposição “Tessituras do invisível: desdobrando Cascaes”, que permaneceu aberta à visitação pública desde o dia 10 de março, na galeria do MarquE, Museu de Arqueologia e Etnografia da UFSC. A mostra apresentou trabalhos de treze artistas filiados à Associação Catarinense de Artistas Plásticos (Acap), entidade que teve Franklin Cascaes entre seus fundadores.

A presidente da ACAP, Maria Esmênia (blusa branca), agradeceu a todos que contribuiram para o sucesso da exposição e da palestra. A partir da esquerda: Katiely Michieli, palestrante; a curadora Meg Tomio; Maria Esmênia, presidente da associação; e o vice-presidente Gelsyr Ruiz (Foto JCarlos)
A presidente da Acap, Maria Esmênia, e o vice-presidente, Gelsyr Ruiz, agradeceram aos participantes da exposição, à curadora Meg Tomio Roussenq e aos técnicos da UFSC lotados no museu pela contribuição ao sucesso da mostra. A Acap já prepara uma nova exposição, desta vez em homenagem a um de seus amigos, Hassis, que deverá ser anunciada em breve.
[Crônica CCXII/2026]

