Uma das coisas que aceito tal como me foi apresentada é a Lei da Gravidade. Afinal, estamos “pregados” à Terra sem raízes como as árvores e, sendo feitos de massa — ossos e carne — caímos em direção ao solo, como as maçãs de Isaac Newton.
Esse fenômeno natural vem sendo explicado e aperfeiçoado desde Aristóteles, na Grécia Antiga, passando por Galileu Galilei e Kepler, até chegar ao famoso pomar de Newton. Mais tarde, Einstein retomaria o tema, conduzindo à busca pela chamada “Teoria de Tudo”, que pretende unir mecânica quântica e relatividade geral em um único pacote.
Cientificamente, não há dúvidas de que a gravidade exista; o que se discute é como ela realmente funciona. Para mim, isso é irrelevante. Estou muito bem, obrigado, na minha zona de conforto, com os pés firmes no chão e plenamente conformado com a certeza de que “voar é com os pássaros”, como ensina o filme de Robert Altman.
Mas eis que surge um sujeito — não sei de onde — e publica uma teoria que logo se espalha pelo mundo através das redes de desinformação, digo, redes sociais: Instagram, TikTok, Facebook e X. Segundo ele, no dia 12 de agosto de 2026, às 14h33, “durante 7,3 segundos, tudo o que não estiver fixo ao solo — pessoas, animais ou objetos — vai começar a flutuar, subindo entre 15 e 20 metros de altitude.”
A catástrofe anunciada “teria como base um suposto documento secreto da NASA, denominado Project Anchor (Projeto Âncora), divulgado em novembro de 2024”.
Passados os poucos segundos de flutuação, a gravidade retornaria, atraindo tudo de volta com aceleração de 9,8 m/s² em direção ao centro do planeta, fazendo o que é sólido se esborrachar no chão, irremediavelmente.
Como sou previdente, já encomendei na loja singapurense Shopee paraquedas para toda a família — e também para os cachorros — para que, no dia 12 de agosto, após o efeito antigravitacional, possamos descer lentamente de volta ao nosso quintal.
Se o aviso da falta de gravidade for mentira, menos mal. Colocarei os equipamentos à venda em uma dessas plataformas que disseminam boatos, a preço de custo.
[Crônica XIV/2026]

