21 de julho de 2021

Conversas em Biguaçu – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Políticos foram à Biguaçu, na Grande Florianópolis, em busca de conselhos dados por um ex-governador já falecido, que incorpora em um pai de santo (Capa e contracapa do livro, com arte Zé Dassilva)

O período temporal das crônicas escritas pelo jornalista e consultor de marketing político Frutuoso de Oliveira é entre 10 de maio a 24 de dezembro de 2020. Neste período o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (agora sem partido), passou por um período tumultuado. Enfrentava a pandemia de Covid-19 e sofria dois processos de impeachment. Um pela equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os procuradores da Assembleia, outro pela compra de 200 respiradores mecânicos, no valor de R$ 33 milhões, pagos adiantadamente e que nunca chegaram.

Luiz Henrique da Silveira – LHS – foi prefeito de Joinville (duas vezes), deputado estadual, deputado federal (dois mandatos), governador por dois mandatos, senador da República, ministro da Ciência e Tecnologia no governo José Sarney e presidente nacional do PMDB (Foto Divulgação)

O pai de santo Pacácio incorpora o espírito do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, que morreu dia 10 de maio de 2015 e dá conselhos para políticos vivos. O primeiro a procurar as opiniões do LHS – como era conhecido durante sua longa carreira política – foi o governador Carlos Moisés. O espírito disse muitas verdades a Moisés, que são, em suma, o básico daquilo que se espera de um governador. Mas parece que os palpites não foram acolhidos. Muito pelo contrário.

Os conhecimentos de marketing político, campanhas eleitorais e trabalhos como jornalista, deram ao autor as ferramentas necessárias para escrever um livro de “ficção” que permite o descortinamento dos bastidores da política catarinense, com os conchavos para as eleições, em que o adversário de hoje é o aliado de amanhã. O terreiro do pai Pacácio foi transformado em Oráculo e a cidade de Biguaçu, na Grande Florianópolis, em Delfos, em que os “vivos” iam buscar conselhos ou mesmo buscar saber o que o futuro reservava para ele junto a um falecido.

Mesmo estando há pouco tempo morando em Santa Catarina, não tive dificuldades em acompanhar a trama política do passado e os fatos que antecederam as eleições municipais de 2020, narrados pelas bocas das três personagens principais.

Um  livro gostoso de ler, principalmente para quem gosta de política.

 

 

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Biguaçu Frutuoso de Oliveira Luiz Henrique Silveira Ulysses Guimarães Zé Dassilva 

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