17 de agosto de 2020

Rondon conta sua vida – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Uma parte da história do Brasil oculto que Rondon revelou (Foto reprodução)

Após 17 dias não contínuos, chego ao final do livro Rondon conta sua vida, de Esther de Viveiros (Editora Livraria São José – RJ) A edição é de 1958, ano em que Cândido Mariano da Silva Rondon morreu.

A obra é bem completa e começa falando sobre os antepassados do Marechal Rondon, até chegar ao final da vida dele, já cego e sentindo falta da esposa d. Chiquita.

As missões recebidas por Rondon para implantar as linhas telegráficas ligando o Rio de Janeiro a Cuiabá e dessa cidade à distante vila de Santo Antônio do Alto Madeira, já são bem conhecidas, pois vários livros já foram escritos sobre o tema. Também é conhecida a inspeção às fronteiras do Brasil, especialmente com a Colômbia e com o Peru. Nessa missão em particular, Rondon conta que os representantes dos colombianos e peruanos eram trocados com frequência, pois os delegados ficavam doentes. Ele, Rondon, ficou até o final da tarefa.

A questão indígena era uma preocupação constante de Rondon. Na foto, troca de presentes (Fotograma do filme Parima, de Luiz Thomaz Reis)

A questão indígena é praticamente tratada em toda a obra, desde a decisão de não atirar com armas de fogo para revidar ataques dos donos da terra. Rondon dizia que a Comissão estava invadindo o território sagrado dos índios, foi quando criou a frase que correu o mundo: “Morrer se preciso for. Matar nunca”.

Indolente

Destaco ainda uma opinião formulada por Rondon, que vou transcrever: “(…) Não é o índio indolente; ao contrário, é sua vida [uma] série intérmina de trabalhos penosos e arriscados. O que não representa derrubar uma árvore, na floresta, a machado de pedra! E eram extensas as derrubadas que faziam para as plantações de mandioca, milho, etc. E as caminhadas que eram obrigados para apanhar a caça que lhes devia servir de alimento, para tirar, em troncos de árvores gigantescas, os favos do precioso mel, ou dos coqueiros, que abatiam com seus machados de pedra, o delicioso palmito!”

Rondon diz ainda que não se pode comparar o índio com o europeu, que se dá por satisfeito em um lote de terra. O Marechal considera que a maior obra da vida dele foi propor e ser o primeiro chefe do Serviço de Proteção ao Índio e Localização de Trabalhadores Nacionais. Ele não recebeu nenhuma remuneração para exercer o cargo.

Após a leitura atenta das 636 páginas do livro – em algumas ocasiões voltando atrás para tirar dúvidas – aumentou a minha certeza de Rondon foi o maior brasileiro que o Brasil já conheceu!