Após 17 dias não contínuos, chego ao final do livro Rondon conta sua vida, de Esther de Viveiros (Editora Livraria São José – RJ) A edição é de 1958, ano em que Cândido Mariano da Silva Rondon morreu.
A obra é bem completa e começa falando sobre os antepassados do Marechal Rondon, até chegar ao final da vida dele, já cego e sentindo falta da esposa d. Chiquita.
As missões recebidas por Rondon para implantar as linhas telegráficas ligando o Rio de Janeiro a Cuiabá e dessa cidade à distante vila de Santo Antônio do Alto Madeira, já são bem conhecidas, pois vários livros já foram escritos sobre o tema. Também é conhecida a inspeção às fronteiras do Brasil, especialmente com a Colômbia e com o Peru. Nessa missão em particular, Rondon conta que os representantes dos colombianos e peruanos eram trocados com frequência, pois os delegados ficavam doentes. Ele, Rondon, ficou até o final da tarefa.

A questão indígena era uma preocupação constante de Rondon. Na foto, troca de presentes (Fotograma do filme Parima, de Luiz Thomaz Reis)
A questão indígena é praticamente tratada em toda a obra, desde a decisão de não atirar com armas de fogo para revidar ataques dos donos da terra. Rondon dizia que a Comissão estava invadindo o território sagrado dos índios, foi quando criou a frase que correu o mundo: “Morrer se preciso for. Matar nunca”.
Indolente
Destaco ainda uma opinião formulada por Rondon, que vou transcrever: “(…) Não é o índio indolente; ao contrário, é sua vida [uma] série intérmina de trabalhos penosos e arriscados. O que não representa derrubar uma árvore, na floresta, a machado de pedra! E eram extensas as derrubadas que faziam para as plantações de mandioca, milho, etc. E as caminhadas que eram obrigados para apanhar a caça que lhes devia servir de alimento, para tirar, em troncos de árvores gigantescas, os favos do precioso mel, ou dos coqueiros, que abatiam com seus machados de pedra, o delicioso palmito!”
Rondon diz ainda que não se pode comparar o índio com o europeu, que se dá por satisfeito em um lote de terra. O Marechal considera que a maior obra da vida dele foi propor e ser o primeiro chefe do Serviço de Proteção ao Índio e Localização de Trabalhadores Nacionais. Ele não recebeu nenhuma remuneração para exercer o cargo.
Após a leitura atenta das 636 páginas do livro – em algumas ocasiões voltando atrás para tirar dúvidas – aumentou a minha certeza de Rondon foi o maior brasileiro que o Brasil já conheceu!

