16 de maio de 2020

Matriuska – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Tive um colega que contou estar ele transando com uma vizinha da estância (vila, bom-será, cortiço). Enquanto ele suava na função, ela comia um biscoito cream cracker completamente alheia ao ato.

Lembrei-me disso ao ler um dos contos do livro Matriuska (Editora Iluminiras/2019), de Sidney Rocha. Em “zero-cal”, assim mesmo em minúsculas, Camila, a namorada do narrador não tem orgasmo no ato sexual, mas lambia os lábios e deixava a saliva inundar a boca, lustrando os dentes.

As babuskas ou matriuskas (Foto reprodução)

Em outro, o encontro é em um café e a mulher esvazia a bolsa dos objetos que carregava: fotos de documentos, um brinco sem par, um cartão de visitas com números telefônicos em Manaus, o retrato do “filho da *uta”, um absorvente, um sachê de sândalo – para espantar o mau olhado -, duas carteiras de estudante vencidas… E por aí vai. O que me chamou a atenção foi o “o espelhinho onde só cabia o reflexo da boca, o batom um corpo de ataúde com dourações feitas à mão”.

Livro de leitura rápida e, como disse o apresentador do autor, Marcelino Freire, são contos curtos e “assustadores”. Está aqui: https://bit.ly/3bDKzX8

Um dia a menos na quarentena…

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Contos Editora Iluminuras Literatura brasileira quarentena Sidney Rocha 

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