07 de maio de 2020

Alexandre de Gusmão – Cartas – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Alexandre de Gusmão, nasceu em Santos – SP e foi secretário do rei de Portugal por vinte anos (Ilustra internet)

Fomos ao sebo em busca de mais livros para ler enquanto a quarentena continua. Encontrei a obra “Cartas”, do Alexandre Gusmão (Imprensa Nacional/Casa da Moeda – Portugal/1981) e comprei-o pelo autor. Gusmão nasceu em Santos – SP no ano de 1695 e cedo foi morar na Bahia, tendo estudado Latim e Lógica, Metafísica e Ética, Retórica e Filosofia.

Foi residir em Lisboa, conseguindo ser nomeado para secretário da embaixada de Portugal em Paris, ingressando na Sorbonne, onde cursou Direito Civil. De 1730 a 1750 foi secretário do rei D. João V, representando aquele monarca na negociação de limites entre Portugal e Espanha, o que resultou na assinatura do tratado de Madri, que ampliou o território brasileiro para oeste, usando o princípio do uti possidetis, “cada país deveria reter para si os territórios que tivesse efetivamente ocupado”.

Por saber disso tudo é que comprei o livro.

O livro reúne cartas oficiais e particulares do diplomata

É uma coleção de cartas de caráter oficial e particular, escritas pelo diplomata Alexandre de Gusmão. Algumas delas foram redigidas a mando de Sua Majestade, cobrando o pagamento de impostos aos padres; solicitando a ministros que despachem com presteza problemas que estavam entregues às mãos deles. Também chama atenção a um desembargador que mandou prender um padre por este ter celebrado duas missas no mesmo dia!

Na segunda parte do livro são reunidas as cartas de caráter particular, onde Alexandre de Gusmão pede dinheiro emprestado, pede favores de um amigo que reside em Paris, para comprar objetos para ele, como espelhos, uma cômoda e uma travessa de prata. Pede favores para amigos e fala dos preparativos para seu casamento e, depois a gravidez da esposa e o nascimento do filho.

Alexandre de Gusmão morreu em Lisboa no ano de 1753, com 58 anos. Era irmão do padre Bartolomeu de Gusmão, inventor, entre outras coisas, do balão com ar quente e também era irmão de Teotônio de Gusmão, juiz de fora, que implantou uma mesa de rendas na cachoeira Grande no Rio Madeira, depois denominada cachoeira de Teotônio.