31 de dezembro de 2019

Túnel da morte

Por José Carlos Sá

Fortaleza de Santa Cruz, na ilha de Anhatomirim, na baía norte da ilha de Santa Catarina (Foto JCarlos)

Logo após a Proclamação da República, gaúchos, catarinenses e paranaenses se uniram pela independência dos Estados do sul do poder central, sediado no Rio de Janeiro. Houve uma guerra civil, que foi combatida com violência pelo presidente Floriano Peixoto.

O coronel Antônio Moreira César foi enviado para Santa Catarina onde se tornou interventor (22 de abril a 28 de setembro de 1894). Neste curto período Moreira César mandou prender e enviar para a fortaleza de Santa Cruz, na ilha de Anhatomirim, 285 pessoas “inimigas da República”. Ninguém desse grupo retornou: foram enforcados ou fuzilados e os corpos jogados ao mar. Moreira César “pacificou” outras revoltas e acabou sendo morto quando atacava o arraial de Canudos, no interior da Bahia.

O engenheiro Hercílio Luz foi o sucessor de Moreira César e uma das  iniciativas do novo governador foi trocar o nome da capital catarinense, de Desterro para Florianópolis…

Por via das dúvidas, o menino se dirige ao túnel com os dedos cruzados (A foto não ficou boa, meu dedo faz sombra…)

Conta a história que os corpos eram jogados ao mar através de um túnel que tem na fortaleza e que servia, originalmente, para receber mantimentos para a tropa que ficava ali aquartelada. Visitamos a fortaleza no dia 24 de dezembro e a guia disse que há a lenda sobre uma maldição para quem atravessar o túnel. “Quem passa pelo túnel deve cruzar o dedo da mão direita, senão troca de sexo!”