09 de dezembro de 2019

Pesos & medidas

Por José Carlos Sá

O armazém foi fundado em 1910, em Vargem do Cedro (Foto internet)

No passeio de sábado (7/12) ao município de São Martinho, visitamos o Geschäftshaus Feuser, ou, em português, Casa Comercial Feuser, que foi fundada em 1910, no distrito de Vargem do Cedro. Lá vendem bebidas de origem alemã (bitter) e brasileira (cachaça), além de biscoitos, doces, licores e uma variedade de coisas, como canecas esmaltadas, lamparinas antigas, gêneros alimentícios, roupas, utensílios para cozinha e ferramentas. Além disso, colecionam peças antigas como ferro de passar roupa a brasa, rádios e televisores que usavam válvulas para funcionar e muitas outras coisas, que hoje são objetos “curiosos”.

“Metro” de balcão (Foto internet)

Quando chegamos, a Marcela teve a atenção despertada por um “metro” (como chamávamos) de madeira. Era um instrumento com que mediam tecidos, fumo de rolo, cordas e outras mercadorias vendidas. “Olha, lembrei da loja T. T. Dias!” A dona Cacilda, que nos atendia, estava indignada. Recentemente um fiscal do Inmetro esteve lá e disse que ela poderia ser multada pela exibição do “metro” de madeira. Ela argumentou que a peça era meramente ilustrativa e estava lá, como outros objetos antigos, que eram exibidos para atrair a atenção dos fregueses ou visitantes.

Balança antiga, não aferida (Imagem internet)

Aí o fiscal viu uma balança no alto de uma prateleira e ameaçou com outra multa, pois a balança, aparentemente, não havia sido aferida. Era uma balança antiga, que também estava sendo mostrada como peça de museu. Dona Cacilda demonstrou ao funcionário que não havia nada ali para ser pesado, pois os produtos já vinham com o peso impresso nas embalagens. O homem, então, passou a pegar os pacotes de biscoitos para conferir o peso… Ela disse: “Se o senhor encontrar algum erro, não tenho nada com isso, o problema é da fábrica!” E o cara foi embora sem conseguir “o do café”.

Me lembrei de um fato que aconteceu em Porto Velho. Almocei em um restaurante da antiga Esplanada das Secretarias. Na hora em que fui pagar minha refeição, o proprietário recebia a “visita” de um fiscal do Inmetro, que estava dizendo que a balança do estabelecimento não estava correta. Ao me aproximar, o proprietário disse ao funcionário: “O senhor pode me multar. Esse freguês é jornalista e será minha testemunha”. Eu não sabia do que se tratava, sei que o sujeito guardou o talão de multas e foi embora.