01 de dezembro de 2019

Novembrada

Por José Carlos Sá

Presidente João Figueiredo, terceiro a partir da esquerda, antes do tumulto (Foto James Tavares/Reprodução)

Ontem, 30 de novembro, a imprensa de Florianópolis relembrou um episódio que ficou conhecido como “Novembrada”, e ocorreu há 40 anos, numa visita do então presidente João Figueiredo. Li e ouvi entrevistas com pessoas que estiveram presentes no ato, um jornalista que cobria a visita presidencial e de um estudante à época e que participou com um grupo, estimado de 20 jovens, do início da manifestação.

A agenda da visita previa uma reunião em palácio com o governador Jorge Bornhausen, a inauguração de uma placa saudando o Marechal Floriano Peixoto, que emprestou o nome para a capital de Santa Catarina, a ida ao café Ponto Chic, também conhecido como “Senadinho”, onde Figueiredo seria homenageado. Além desses compromissos, o final da visita seria em um churrasco para seis mil convidados.

Ao saírem à sacada, o presidente da República, governador e ministros foram aplaudidos pela população, enquanto um grupo de vinte estudantes (as diversas fontes são unânimes em apontar este número) começaram a vaiar as autoridades. De pavio curto, Figueiredo fez o tradicional gesto de unir o dedo polegar ao dedo indicador (👌), que nos EUA significa “ok”, mas aqui no Brasil tem outro significado. A resposta dos estudantes foi o tradicional “Um, dois, três, quatro, cinco mil! Quero que Figueiredo vá à PQP!”. O presidente esqueceu da liturgia do cargo e desceu para dar porradas nos estudantes, mas a segurança o impediu.

A placa homenageando Floriano Peixoto foi queimada e entortou (Foto reprodução)

Os estudantes então quebraram o pedestal e colocaram fogo na placa da homenagem a Floriano Peixoto.

Depois houve empurra-empurra, quando a comitiva foi para o Senadinho. Contam que o ministro das Minas e Energia,César Cals, levou um tapa na orelha. Uma loja de eletrodomésticos teve os televisores exposto na calçada derrubados. O tumulto cresceu de proporções e nos dias seguintes o Exército colocou patrulhas nas ruas para acalmar os ânimos.

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Florianópolis Novembrada presidente João Figueiredo revolução de 64 

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