02 de novembro de 2019

Mas fala diferente

Por José Carlos Sá

Ouvi na rádio CBN a entrevista do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, responsável pela preparação da prova do Enem, que será aplicada neste domingo 3/11 e no próximo domingo, 10/11. Ao dar algumas dicas sobre a redação, ele disse que o que pode “zerar” a redação: “Escrever menos de sete linhas, fugir totalmente do tema, e, principalmente, colocar alguma coisa na redação que possa levar à identificação do aluno”.

O personagem de Grande Otelo, na Escolinha do Professor Raimundo, recebia a cola, mas tinha que falar diferente… (Foto Divulgação)

Lembrei que em 1993, eu trabalhava no Departamento de Comunicação do Governo de Rondônia e no jornal Alto Madeira. Em um final de semana fui escalado para acompanhar o governador Osvaldo Piana no lançamento de algum programa ligado à agricultura. Para ser liberado do Alto Madeira, o saudoso Paulo Correia pediu para eu fazer uma matéria para o jornal sobre o assunto que eu ia cobrir pelo Decom, mas que fosse diferente do release que ia escrever e distribuir para a Imprensa do Estado.

Na segunda-feira, quando redigia o material para o Alto Madeira, o Paulinho começou a ler sobre o meu ombro e já fez outras “encomendas”. Ele também escrevia para o jornal “O Parceleiro”, do Osmar Silva, de Ariquemes, e para a Revista Visão, e pediu outros dois textos sobre o mesmo assunto. Tive que usar muita criatividade para escrever o mesmo assunto em quatro textos diferentes entre si.

Consegui e fiquei me achando quase um Fernando Pessoa e seus heterônimos…