14 de setembro de 2019

Inspirando a avó

Por José Carlos Sá

Seu Benedito e d. Georgina, em poe para o lambe-lambe (Foto arquivo pessoal Nilta de Assis Sá)

Minha avó materna, dona Georgina ou, para nós, “Mãedindinha” (mistura de mãe e madrinha) nasceu em Nova Viçosa, no extremo sul da Bahia e depois foi morar em Caravelas, cidade próxima, ao norte, onde se casou com o meu avô Benedito e teve as duas filhas, minha mãe Nilta e tia Nívia. A vida dura daquele tempo impediu que ela estudasse, mas garantiu a oportunidade às filhas. Foram todos residir em Teófilo Otoni, onde eu e meus irmãos nascemos. Quando aprendi a escrever meu nome, minha mãe contou para Dinha e eu, exibido, peguei um lápis e um pedaço de papel  e desenhei os meus garranchos.

O efeito imediato foi que Mãedindinha se animou a aprender escrever. O sonho dela era votar no Juscelino Kubitschek, que tinha deixado a presidência (e planejava retornar ao poder, se os militares deixassem. E não deixaram). Minha avó se esforçou e aprendeu a ler e a escrever, teve aulas particulares do Programa Mobral e realizou o sonho dela de votar. Não no Juscelino, mas votou!