18 de agosto de 2019

Escolhendo a marionete

Por José Carlos Sá

Nem sempre o marionete obedece o manipulador (Foto Nicolás Pérez)

A Rádio CBN levou ao ar na manhã deste sábado (17/08) entrevista com o professor Marcelo Suano, que lançou recentemente o livro “Como destruir um país – Uma aventura socialista na Venezuela”. A certa altura da conversa, Suano conta que o atual presidente Nícolas Maduro foi escolhido para ser o vice presidente do Hugo Chávez, como prevê a constituição da Venezuela. Vou reproduzir as palavras do autor, ao analisar a decisão de Hugo Chávez, que levou à atual situação de crise do nosso vizinho: “(…) Uma das escolhas erradas que ele fez [Chávez] foi quando escolhe pessoalmente o Nícolas Maduro para ser vice presidente da República, uma vez que na Venezuela o vice presidente é uma escolha pessoal do presidente. Ele não é eleito. Quando ele escolhe Nícolas Maduro, ele escolhe alguém que nunca ia fazer sombra. Ou seja, escolhe um mediano, que não tinha condições nenhuma de gerenciar o processo administrativo, nem governar um país (…)”. O que deu?

Este tipo de escolha, de pessoas que aparentemente são “manipuláveis”, sempre dá errado. Em Rondônia, a bancada federal articulou com o presidente José Sarney, (co-)inaugurador da “Nova República” e derrubou o governador Jorge Teixeira. Deputados e senadores do MDB e PFL chegaram a um acordo na escolha do governador-tampão que iria administrar o recém-criado Estado até as eleições de 1987. Seria um suplente de deputado que ascendeu ao cargo devido à morte do titular em um acidente de trânsito, um modesto professor rural, Ângelo Angelin.

Angelin recebeu o cargo com o secretariado já adrede indicado, sendo 50% de cada partido que o levou ao poder. Porém, ai porém, não contavam com a astúcia do cunhado dele, Francisco Ansiliero, que montou uma “assessoria especial”, espelhando o secretariado formal para analisar os projetos encaminhado ao governador. Assim, Angelin ajudou a eleger Jerônimo Santana e foi para casa só com alguns poucos processos no TCE.

Não subestime ninguém. Ele pode surpreendê-lo