28 de junho de 2019

Cale-se!

Por José Carlos Sá

Cálice ou cale-se? (Ilustra Google)

Uma das músicas que mais gosto é “Cálice”, uma feliz composição de Chico Buarque e Gilberto Gil, que foi gravada por vários intérpretes, sendo a minha preferida pelo próprio Chico em dueto com Milton Nascimento. A música foi censurada em 1973 e só liberada em 1978. Vi a interpretação da canção pelo português Roberto Leão e pelos músicos e cantores Renato Braz (SP), Breno Ruiz (SP) e Mário Gil (MG) no Sr. Brasil, programa do Rolando Boldrim, que a TV Cultura exibiu domingo e voltei no tempo.

Capa do LP em que a música Cálice foi divulgada (Foto Polygram/Philips/ Divulgação)

Quando a gravação foi permitida e saiu no LP Chico Buarque, em 1978, eu era cabo da Aeronáutica e fã do cantor e decorei praticamente as onze músicas do disco. Um dia, cantarolando Cálice, “pai, afasta de mim esse cálice…”, fui surpreendido pelo tenente Cruz, que me repreendeu:

– Cabo, essa música é subversiva e você não pode cantá-la aqui no quartel e nem na rua!

– Mas tenente, foi Jesus Cristo quem disse quando estava morrendo na cruz!

– Já disse, é subversiva!

– Mas, tenente…

– Não pondere!

No jargão militar, ponderar é argumentar. E eu me calei, mas fiz igual ao Muttley: “Hihihihi