26 de junho de 2019

Desafiando o regime(nto)

Por José Carlos Sá

Capa d’O Pasquim n° 1 (Reprodução)

Há 50 anos aparecia o jornal que iria mexer profundamente com a imprensa e as autoridades. Em 26 de junho de 1969, chegava às bancas “O Pasquim” tendo em sua editoria o que havia de melhor no jornalismo brasileiro, com liberdade total para escreverem o que quisessem. Isto custou caro, todo mundo foi preso e várias edições do jornal apreendidas, além de sofrerem com a censura por muito tempo. Ziraldo, Jaguar, Ivan Lessa, Henfil, Millôr eram meus ídolos, além de colaboradores como o Caetano Veloso, que estava exilado em Londres (“Via Intelsat mando notícias minhas para o Pasquim…”, cantava Paulo Diniz), Chico Buarque, entre outros e mais as entrevistas históricas, muitas regadas à uísque, em que os entrevistados soltavam a língua.

De pé da esq. para a dir. Henfil, Ivan Fernades, Millôr, Caulos e Luiz-Rosa; sentados Jaguar, Ziraldo, Ivan Lessa, com a mão sobre Sérgio Augusto (Foto Duayer / Arquivo Ivan Fernandes)

Devo parte do meu gosto por política e a mania de ler nas entrelinhas ao Pasquim, pois por saber que estavam sob censura, procurava por mensagens escondidas ou sugeridas nos textos. Eu passei a comprar o jornal quando comecei a trabalhar em 1972. Economizava o dinheiro do lanche e toda sexta-feira ia à banca buscar meu exemplar. No meu quarto de solteiro tinha uma pilha enorme de exemplares guardados, que minha mãe implicava que eu devia jogar fora. Eu os pegava, relia e guardava de novo. Esse amor foi comigo para Rondônia, onde eu comprava o jornal (que já estava sem pressão do governo federal) e ia para a margem do rio Madeira, no “barquinho”, ler tabloide de capa-a-capa.

Aliás,eu também fui colaborador do Pasquim. Enviei uma anedota e ganhei um desenho autografado pelo Jaguar. Estou publicando abaixo, com uma tarja, em respeito aos bons costumes.

O ratinho Sig (Sigmund) devidamente tarjado (Desenho Jaguar)

A piada, hoje sem graça, mas à época eu conseguia arrancar risos quando a contava…

Uma ligeira tietagem ao meu ídolo Ziraldo (Fotos Paulo Damião, Rony Carvalho e Cléris Muniz/Nov 2016)

Sinto falta do “hebdomadário”. Hoje a imprensa está muito chata, bipolarizada, inclusive o que publicam no Facebook e no Twitter. É uma coisa monocórdia, sem graça. Bons tempos do Pasquim!

 

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Imprensa tupiniquim O Pasquim Ziraldo 

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