24 de junho de 2019

As “paixões” de Cristo

Por José Carlos Sá

Encenação da paixão de Cristo (Foto Sílvio Santos)

Li a coluna do Zé Katraca/Sílvio Santos sobre a apresentação do Grupo Êxodo, que voltou a encenar a tradicional peça “Homem de Nazaré”, depois de uma paralisação de seis anos. Katraca pontua alguns problemas que aconteceram no espetáculo, sem contudo atrapalhar o sucesso do evento, como o caso do esquecimento de se colocar água numa jarra, que Herodes jogaria no rosto de Cristo. A água, não a jarra.

Lembrei que quando trabalhei na Rádio Guarani, em Belo Horizonte, o colega Milton (esqueci o sobrenome) me contou que nos anos 60 aproveitando o auditório dos Diário Associados, a rádio apresentava a encenação da morte de Cristo, na sexta-feira da paixão.  Sempre com lotação esgotada. Ele, Milton, fazia o papel de Cristo e era amarrado na cruz, com um pano envolto na cintura, tendo por baixo uma cueca samba-canção. A cruz era instalada no palco e entre ela e o público outras duas radialistas fazendo os papéis de Maria e Maria Madalena. Uma das rádio-atrizes era a dona Maria Sueli, que apresentava o programa “A Hora de Angelus”, que cheguei a conhecer.

Milton disse que estava naquela posição desconfortável de “crucificado” e as duas colegas dele sussurravam algo que ele não conseguia entender: É que o pano que envolvia a cintura dele estava amarrado muito alto e os “documentos” dele estavam aparecendo. Depois é que soube que elas diziam: “O saco, o saco…”