31 de março de 2019

Há 55 anos

Por José Carlos Sá

Eu tinha oito anos em 31 de março de 1964, dia que caiu em uma terça-feira, então o que vou contar deve ter ocorrido em 1º de abril, por várias razões (estou rememorando e raciocinando agora):

Tropas da 4ª Divisão de Infantaria, sediadas em Juiz de Fora – MG partiram para o Rio de Janeiro (Foto Internet)

1 – Morávamos no interior de MG, onde os meios de comunicação mais rápidos eram o rádio e o telégrafo, então a notícia da revolta militar chegou no dia seguinte; 2 – O general Olympio Mourão Filho colocou as tropas na estrada, saindo de Juiz de Fora na madrugada de 31 de março em direção ao Rio de Janeiro, onde estava o presidente João Goulart; 3 – Meu padrinho que era sargento de polícia (comandante do destacamento de Teófilo Otoni), chegou na casa da minha avó, onde ele tomava as refeições e o café da manhã, sugerindo que eu não fosse para a escola, pois tinha acontecido alguma coisa grave.

No mesmo dia, à tarde, quando pai foi me buscar, contou, em voz baixa, que o houve muitas prisões de ferroviários, inclusive um compadre dele – padrinho da minha irmã Cida – presidente do sindicato; 4 – A babá da Cida chegou no outro dia chorando. Era uma garota de uns 14 anos. Disse que o Brasil estava em guerra, pois da casa dela viram caminhões cheios de soldados passando na estrada.

Dias depois as aulas foram retomadas, ainda sem sabermos direito o que estava acontecendo. Nas primeiras aulas a professora escreveu no quadro negro o nome do novo presidente do Brasil: Humberto de Alencar Castelo Branco.