28 de fevereiro de 2019

O neto do avô

Por José Carlos Sá

Roberto Campos e Roberto Campos Neto – Dois economistas comprometidos com o país (Fotos reprodução)

Estou estranhando que nestes tempos de retorno da ‘patrulha ideológica’ ninguém ainda tenha “denunciado” que o novo presidente do Banco Central é neto de um ex-ministro da ditadura. O nome já entrega: Roberto Campos de Oliveira Neto. Pensei que haveria escarcéu, mimimi e posts e mais posts nas redes sociais. Mas nada. O povo perdeu a memória, não tem informação ou falar no Roberto Campos é coisa delicada?

Roberto Campos foi economista, diplomata, escritor e político. Assessorou os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Castelo Branco. Fez parte das equipes que idealizaram e criaram o BNDES, o Banco Central, o Estatuto da Terra e o FGTS. Por defender o liberalismo na economia, a esquerda passou a chamá-lo de Bob Fields, insinuando que o economista era “um vassalo do capitalismo norte-americano”.

Não respondia diretamente, apenas com alfinetadas em frases que ficaram memoráveis e acachapantes. Relembro algumas: “A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”; “O comunismo é bom para sair da miséria, mas incompetente para levar à riqueza”; “A diferença entre a empresa privada e a empresa pública é que aquela é controlada pelo governo, e esta por ninguém”; “A diferença entre a inteligência e a estupidez é que a inteligência é limitada”; e “Os artistas brasileiros são socialistas nos dedos ou na voz, mas invariavelmente capitalistas nos bolsos”.