07 de fevereiro de 2019

Burocracia com o que é nosso

Por José Carlos Sá

A Relatividade (desenho do matemático Maurits C. Escher (1898/1972)

Ao vivenciar uma daquelas situações que só o escritor tcheco Franz Kafka* poderia imaginar, dei-me conta que tenho muito em comum com a personagem principal de um dos livros dele, o Joseph K., de “O Processo”. Sou José Carlos (José C.) e a minha luta foi contra a burocracia ‘Caixakaniana‘, da Caixa Econômica Federal. O meu xará foi processado por algo que ele nunca soube. No meu caso, quis, simplesmente, fazer duas quitações: encerrar um financiamento habitacional antes do prazo acordado e pagar a casa nova.

O dinheiro para a quitação estava depositado na conta-poupança que mantínhamos em nome da Marcela. Fomos à agência Guaporé, na rua Alexandre Guimarães, que ficava mais perto de onde morávamos. Levamos o boleto, emitido pela própria Caixa, pegamos a senha e pacientemente esperamos. No guichê, a funcionária disse que o ficha referente à conta não estava on line e teríamos que pedir a alguém da gerência que a disponibilizasse. Na gerência, não quiseram sequer dar uma informação. Resolvemos ir à agência Caiari, na rua José Vieira Caula. Desta vez fomos direto à gerência. O atendimento foi muito melhor. Fomos levados a um funcionário mais experiente, que nos explicou a razão do não acesso à nossa conta: ela não foi digitalizada e teríamos que ir à agência onde a conta poupança foi aberta. Atravessamos a cidade em direção à avenida Jatuarana. Lá, depois de muito esperar, finalmente a gerente com um comando no computador liberou a transação. Perdemos um dia todo, gastamos combustível e mais o estresse!
Em São José, no processo da compra da casa, a transferência máxima permitida é de R$ 60 mil por dia (Olha o COAF aí, gente!) e tive que pagar em prestações, indo diariamente a uma agência. Na última etapa – que só seria depositada após os ajustes combinados com o construtor e vendedor – fui à agência Forquilhinhas, peguei a senha preferencial, aguardei pacientemente (mentira!) e fui ao caixa. Apresentei o cartão do banco, CNH e o número da conta para transferência. O funcionário conferiu minha assinatura, conferiu o CPF e, ao conferir o número da minha RG que constava na ficha bancária, não batia com aquela da CNH. – O senhor trouxe sua RG? – Não senhor, só ando com a CNH. – Aqui consta uma RG de Minas Gerais e esta da CNH é de Rondônia… – A RG de Minas Gerais venceu. Como o senhor sabe, a validade de uma RG é de 10 anos… – O senhor tem que ir à sua agência e providenciar a atualização do cadastro! – Não dá para eu fazer isso, pois moro aqui e a agência é em Porto Velho. Por favor olhe no meu histórico de movimentação bancária no mês de janeiro… – A questão não é olhar no histórico… (Fiquei olhando fixamente para ele). Não sei se o espírito do Bom Senso incorporou nele, que não disse mais nada e fez a transferência e me deu os comprovantes. Precisava dessa burocracia toda?
* Kafka morreu há 45 anos, a ser lembrado em junho próximo.

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Burocracia CEF COAF Escher Franz Kafka O Processo 

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Comentários

  • Leo Ladeia disse:

    E U O D E I O qualquer banco. Pode ser privado, público, não importa. E U O D E I O banco de repartição pública, de hospital, de ônibus, de avião, de consultório, de bar, não importa. Sempre foi assim mas com o passar dos anos foi piorando. Aliás, tão odienta quanto o banco é a FILA e que normalmente associo aos odiados BANCOS.

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