09 de janeiro de 2019

Catalepsia

Por José Carlos Sá

A noite em que acordei ‘morto’ em Jaru

Meu pai gostava de contar causos de assombração, lobisomem, mula-sem-cabeça, alma do outro mundo, entre outras. A conversa era nas fogueiras juninas de Santo Antônio, São João e São Pedro & São Paulo (sempre esquecem o Paulo…) ou à noite, no calor do fogão de lenha. Paito, Cida e eu só íamos dormir se mãe fosse conosco.

Muito tempo depois, já morando em Rondônia e trabalhando nos últimos dias da campanha eleitoral de 1993, paramos para dormir em Jaru, no Hotel Paraná, que nessa época tinha cortinas de pano nas portas dos banheiros dos apartamentos. Eu estava exausto e dormi logo depois do banho. Acordei na madrugada e tudo estava escuro – faltava muita energia em Rondônia e Jaru não era exceção, pelo contrário. Acordei voltado para a parede, abri os olhos e não enxerguei nada. Estiquei o braço e toquei na parede. Desespero total! Pensei ter sido enterrado vivo, pois não me lembrava onde estava… só aquela escuridão e o silêncio total. Imediatamente lembrei-me dos causos sobre catalepsia, em que o sujeito vivo deixava de apresentar os sinais vitais e pensavam que tivesse morrido e sem outra alternativa, o levavam para a cova.

Foram horas (na verdade, segundos) de desespero, até eu acordar completamente e colocar o cérebro para funcionar, lembrando que estava em um hotel em Jaru. Depois dizem que os doidos são eles.

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Catalepsia Festa junina Jaru Leseira 

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