27 de novembro de 2018

Profissão perigo

Por José Carlos Sá

Tonico Ferreira entrevista Luiz Zoccal, da Santo Antônio Energia – Reassentamento Novo Engenho Velho – 03/11/2009 (Foto JCarlos)

Li ontem (26/11) na Folha de S. Paulo, entrevista com o repórter Tonico Ferreira anunciando ter se aposentado devido à “agressividade contra repórteres“. Eu já experimentei, pelo menos três vezes, tentativas de agressões no exercício do jornalismo:

Em Belo Horizonte, o jornal O Estado de Minas fazia um juri paralelo do desfile das escolas de samba. Naquele carnaval, a escola que ganhou o concurso oficial perdeu feio no juri do jornal. Quando fui cobrir a apuração, para a tevê do mesmo grupo do impresso, por pouco não apanho dos ‘brincantes’ da escola campeã de verdade.

(Ilustra Rede Tiradentes de Rádio e Televisão – Manaus – AM)

As duas outras “quase” agressões foram em Porto Velho. Uma na primeira greve da PM, quando os manifestantes me confundiram com o pessoal do Estadão do Norte; e a outra, na cobertura da epidemia de cólera que atingiu Porto Velho no início da década de 1990. Em uma das matérias, eu mostrava que as péssimas condições sanitárias do porto do Cai N’Água poderiam contribuir para a disseminação da doença. O Alto Madeira saiu com a seguinte manchete: “Cólera entra pelo Cai N’Água” e o presidente da associação do bairro veio tirar satisfações, dizendo que eu deveria ter escrito sobre a Cidade do Lobo ou sobre o Caladinho, onde a sujeira também era grande.

Escapei das pancadas, mas é uma sensação muito desagradável, pois você está ali sozinho.