26 de outubro de 2018

Atualizando o discurso

Por José Carlos Sá

Um comentário recorrente entre os analistas políticos dos grandes veículos nacionais é o recuo estratégico dos candidatos à Presidência da República, ajustando os discursos deles (pois não têm propostas) às críticas e pressões que vêm recebendo. Um exemplo disso era a intenção do candidato Jair Bolsonoro em fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Depois de conversar com o presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antônio Nabhan Garcia, Bolsonaro voltou atrás. A mesma coisa aconteceu com o candidato Fernando Hadad. O representante do PT queria que o Banco Central ficasse com a responsabilidade de controlar a inflação e gerar empregos. Visando atrair votos dos eleitores de centro, o Banco Central recebeu a promessa de Haddad de continuar “independente”.

“Eu também apoio Bolsonaro” (Reprodução Facebook)

Em Rondônia, o candidato Expedito Junior, logo no início da campanha do segundo turno, divulgou repetidas vezes que apoiava a candidatura Jair Bolsonaro. Depois a Justiça Eleitoral proibiu que ele se atrelasse ao nome do presidenciável para não confundir ainda mais a confusa cabeça do eleitor. Agora a coisa mudou. Usando uma metáfora futebolística a propaganda eleitoral do 45 diz: “Não adianta o ‘capitão’ passar a bola se não tiver alguém na área que saiba fazer o gol. Para Rondônia ganhar, não basta ter só o apoio do Presidente. Ele também tem que saber fazer (…).”

Não sei porque me lembrei da “Fábula da Raposa e das Uvas”, do La Fontaine…