25 de agosto de 2018

Sem graça

Por José Carlos Sá

Li e recomendo o artigo do jornalista José Hamilton Ribeiro, publicado na Folha S.Paulo de hoje (25/08), tratando do mesmo tema do meu pôste anterior (Uma renúncia histórica), porém mais ampliado: “Otimismo dos anos dourados marcou a eleição presidencial de 1960“. Ele compara o Brasil de 1960 com o nosso Brasil atual. José Hamilton descreve com propriedade – pois participou daquele momento histórico.

Quero destacar a diferença fundamental, apontada por José Hamilton, entre as eleições naquela época e hoje.

Partidários de Jânio Quadros em frente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro (Foto Arquivo O Globo – 22031960)

“(…) Eleições naquele tempo eram uma festa. As leis eleitorais, elaboradas então por quem entende de povo (e precisa dele), os políticos, transformavam os comitês e os comícios numa forma de congraçamento popular, com animação de artistas e grandes cantores.

Para camadas da população era o acontecimento do mês —ou da semana—, esperado com ansiedade. Sabe o que é ver de perto (às vezes tocar) um importante cidadão que será amanhã governador do Estado, presidente?

(…) As leis eleitorais de hoje, feitas por tribunais cujos juízes não reconhecem o senhorio do povo sobre os servidores e agem não raro com prepotência e vã-glória, transformaram o ato de votar numa obrigação maçante, enjoada.”

Outro comentário que destaco do artigo do José Hamilton é quando ele diz que o slogan da candidatura de Jânio Quadros soava “como um convite-ameaça:  “Jânio Vem Aí”, sempre tendo a vassoura como arma para atacar ladrões do povo e funcionários relapsos. Sua mensagem levava esperança, o povo confiou”. Se observarmos, nesta campanha eleitoral também tem candidato com essas intenções.

Bem assim.