01 de junho de 2018

“É para a máquina”

Por José Carlos Sá

Trem semelhante ao que usávamos diariamente (Foto ABPF-PR)

Morávamos no bairro Bernardo Monteiro, em Contagem – MG. Na verdade, Bernardo Monteiro era o nome da estação do trem “subúrbio”, mas que acabou denominando tudo que apareceu em seu entorno.

Meu irmão e eu passamos no concurso da Rede Ferroviária Federal, onde já trabalhavam nossos pais e tia, e de onde o avô era aposentado. O melhor modo de transporte entre o nosso bairro e Belo Horizonte, onde era o escritório da Refesa,  era o trem, até porque, por sermos funcionários, não pagávamos as passagens. Fazendo o trajeto todos os dias, acabamos fazendo amizade com a “tripulação”, o chefe de trem e os cobradores.

Um dia, conversando com o chefe de trem, perguntei se eles achavam muitos objetos perdidos. Disse que sim e emendou “mas o mais interessante que encontrei foi dinheiro – uns 50 mil cruzeiros – embrulhado em um papel de caderno escrito ‘para comprar peças para a máquina’. Guardei o pacote duas semanas e ninguém procurou, então fui ao maquinista e perguntei: ‘a máquina [locomotiva] está precisando de peças?’ Ele respondeu que não e eu fiquei com o dinheiro…”

Isso aconteceu no ano de 1981 e 50 mil cruzeiros era muita grana!