27 de março de 2018

Um corpo sob o altar

Por José Carlos Sá

Sempre que voltava do Grupo Escolar, lá em Teófilo Otoni, eu e, eventualmente algum colega, passava pela Catedral. Entrava, fazia o sinal da cruz, ficava por ali e ia embora. Não consigo me lembrar a razão desse estranho hábito – até hoje sou católico, mas não sou fervoroso.

Velatio (Foto Cleiton Robsonn)

Eu não me sentia à vontade na igreja na época da Semana Santa. Naquele tempo havia o costume de cobrir as imagens dos santos existentes na igreja com panos roxos. Ficava um ar meio lúgubre, mas mesmo assim eu entrava na Catedral.

Numa dessas visitas, o meu colega e eu vimos que no altar a toalha estava ligeiramente suspensa, aparecendo por trás uma espécie de “aquário”. Era uma parede de vidro, que normalmente ficava coberta. Fomos até a frente do altar e depois de olhar se a senhora que fazia a limpeza do local estava por perto, chegamos e levantamos o pano. Tomamos o maior susto e saímos correndo: vimos um defunto! Ou melhor, a imagem de Jesus, que ficava ali guardada para a procissão do Senhor Morto.

Senhor Morto (Divulgação Prefeitura de Oleiros)

Cheguei em casa sem fôlego (igual ao dia da iguana), mas não pude contar o que aconteceu…