13 de agosto de 2017

Começando mal

Por José Carlos Sá

À esquerda gambiarra: draga de garimpo adaptada para o desassoreamento; a outra é uma draga de verdade própria para o serviço que é necessário no rio Madeira (Imagens reprodução TV Rondônia e luiscarguaith.blogspot)

Você sabe que uma coisa vai dar errado quando ela começa errada. É o caso da dragagem do rio Madeira, no trecho entre Porto Velho e Itacoatiara (AM). Prometida muitas vezes e também adiada muitas vezes, duvidei que fosse realmente começar agora. O DNIT contratou a empresa para realizar o serviço e eu pensei: “Agora vai!”.

Vai atrasar mais ainda. Reportagem produzida pela repórter Maríndia Moura, da TV Rondônia, mostra que há muitos problemas e, decerto, vão perder a janela hidrológica desta vazante e o serviço já está comprometido. Anotei alguns entraves:

  1. Atraso de mais de um mês. Dragagem era para começar em julho e só agora a empresa chegou a Porto Velho;
  2. A empresa que ganhou a licitação terceirizou o serviço;
  3. A nova empresa não tinha equipamentos e alugou dragas que são usadas no garimpo e precisaram ser adaptadas;
  4. A batimetria apontou 60 pontos críticos, destes só dará para fazer 14 locais antes que o rio encha de novo;
  5. Vão começar em sete pontos, por orientação do DNIT (a coisa só vai piorando).

Quando Miguel de Souza ainda era presidente da FIERO ele dizia que só a dragagem não era suficiente para tornar o Madeira uma hidrovia de verdade. É preciso também o derrocamento (dinamitar pedrais, como o de Belmont, por exemplo) e a sinalização. Outras obras necessárias seriam as eclusas, mas foram tiradas do projeto dasuzina pelo presidente Lula para não atrasar o início da construção das Hidrelétricas Santo Antônio e Jirau.