26 de julho de 2017

Pedevê para boi dormir

Por José Carlos Sá

(Ilustra Sinfrônio/edição Banzeiros)

Acredito que é natimorto o plano do Governo Federal de incentivar a demissão voluntária de funcionários públicos para reduzir o déficit nas contas públicas. O Ministério da Fazenda espera a adesão de cinco mil servidores. Eu pergunto: quem, em um emprego estável, vai pedir demissão e cair numa realidade de mais de 14 milhões de desempregados, segundo o IBGE?

Me lembrei de um programa equivalente, lançado no governo Raupp (1995/1999). Eu era servidor estadual concursado, mas o salário não dava para sobreviver, mesmo sendo técnico de nível superior! Pedi licença sem vencimentos e fui trabalhar na Fiero, quando o governador anunciou o Programa de Demissão Voluntária. Fui várias vezes ao RH da Secretaria de Indústria e Comércio, onde eu era lotado, para aderir ao programa, mas sempre me diziam que ainda não estavam aceitando adesões. Depois de algum tempo telefonaram dizendo que já era possível firmar o requerimento. Foi o que fiz.  Calcularam quanto eu receberia e tudo mais. E mais nada.

Meses depois fui atrás da demissão  e da grana, claro, informaram que o Governo do Estado não tinha dinheiro para pagar as indenizações.

É o que vai acontecer no Governo Federal, se alguém aderir ao pedevê.