26 de junho de 2017

Crônica de aeroportos

Por José Carlos Sá

Fui a Belo Horizonte, num bate e volta, e fiz as seguintes observações nos três aeroportos pelos quais passei:

Aeroportos (Edição Banzeiros)

Aeroporto “Internacional” Governador Jorge Teixeira – Por um motivo qualquer, praticamente todos os idosos que passavam pelo portal de detector de metais acionavam o alarme. Vi vários velhinhos (as) na posição de Cristo na cruz: De braços abertos, sendo revistados. Uma senhora, de uns 70 anos, foi parada na esteira do raio-x. Ela carregava uma sacola de plástico e o  funcionário do aeroporto calçou luvas e deve ter feito algum sinal, pois apareceu um agente da Polícia Federal do nada. Abertas as sacolas e exposto um pó branco, ficou comprovado que era “só” goma de tapioca… (Assisti a tudo de camarote, pois estava sentado bem próximo da entrada da sala de embarque).

Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek (Brasília) – Conversa alta atrás de mim: A – “Comprei o perfume XX, ali no duty free…” B – “Eu sei qual é. É amadeirado, masculino… Os homens não gostam de perfumes amadeirados em mulheres…” A – *oda-se (sic) os homens. Eu gosto!”

No aeroporto de Confins, oficialmente Tancredo Neves, a questão da segurança também estava sendo levada à sério. No “sorteio aleatório”, fui contemplado com a revista pessoal e da bagagem, além do raio-x regulamentar. Tirei o tênis e fiquei na posição de crucificado para levar o ‘baculejo’. Enquanto assistia à revista dos meus trens, perguntei ao funcionário se não tinham equipamentos eletrônicos que facilitassem todo esse trabalho. A resposta em voz baixa: “Aquele equipamento ali é para detectar drogas (apontou com o nariz para uma caixa de metal sobre uma mesa), o outro é para detectar explosivos. Estão quebrados. Estamos esperando o fornecedor enviar o técnico para consertar. Enquanto isso…”

Ainda em Confins, os funcionários da Gol organizavam o embarque. Enquanto um homem baixinho separava as categorias de clientes, as outras, de gabarito e etiquetas de bagagem procuravam volumes maiores que o permitido para despachar. “Boa noite, Brasília (passageiros do voo para Brasília)… Não ouvi a resposta! Boa noite! (boa noite) Brasília, nesta fila, as prioridades estabelecidas por lei: gestantes, mulheres com crianças de até dois anos, idosos e pessoas com necessidade de locomoção. Lei Federal número 10.048, de 8 de novembro de 2000. Positivo? Não ouvi! (Positivo!). Atenção, Brasília! Na fila à direita do portão, portadores dos cartões Gold, Platinum e Internacional. Positivo? (Positivo!) Repetindo, nesta fila, os portadores de cartões Gold… esqueci! Nesta fila portadores de todos os cartões!”

O velhinho deve ter sido sargento orientador de recrutas.